Bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas

Das primeiras coisas que me chamou à atenção em territórios do Reino da Dinamarca foi a presença exaustiva de bandeiras por todo o lado. Quase todas as vivendas de campo têm um mastro no qual erguem orgulhosamente as cores da sua pátria, e mesmo em zonas urbanas, é difícil encontrar um ponto onde não se aviste uma única bandeira.

O nacionalismo é tanto que a bandeira se encontra em quase todas as formas possíveis e imaginárias: miniaturas, confetis, pratos e copos descartáveis, velas, bolos, roupas, decoração… Enfim, é algo que em Portugal só acontece quando a seleção nacional de futebol está perto que ganhar algum título.

Dannebrog (nome atribuído à dita bandeira) distingue-se pela sua longa existência, História e lendas que a acompanham. Reza a lenda que na batalha de Lyndanisse (Estónia) em 1219, os Danes enfrentavam uma derrota quase certa, não fosse a intervenção do Bispo e forças divinas: se este baixasse os braços, os soldados dinamarqueses perdiam a vantagem. Já com ajuda de terceiros, os braços do Bispo renderam-se à exaustão e a vantagem da batalha virou. Perto da derrota e sem réstia de esperança, cai do céu uma bandeira diretamente para as mãos do Rei, gesto que deu forças suficientes às tropas para vencer a batalha.

É um sentimento agradável, isto de sentir um compromisso com o seu próprio país e poder orgulhar-se disso. Para já, sou só uma “recém-chegada” de cabelos escuros e hábitos estranhos (beijinhos na cara?! que é isso?!), mas sempre que vou ao supermercado prefiro gastar duas ou três coroas a mais num produto nacional, como maior parte das pessoas aqui fazem.

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J-dag: o dia em que “a neve cai”

E isto foi o que eu ouvi na semana passada. Celebrou-se o J-dag, o dia de novembro mais aguardado pelos bebedores de cerveja mais entusiastas. Às 20:59h de 4 de novembro de 2016, abriram-se as bicas natalícias, comemorou-se e bebeu-se, como em muitos outros dias, cerveja até cair para o lado. Resumidamente, é o dia em que a Tuborg lança anualmente a sua cerveja de Natal, conhecida pelo seu aroma especial e percentagem alcoólica acima do regular (5.6%).

Esta altura do ano é propícia a reuniões de amigos e conhecidos, com o intuito de festejar o espírito da época, e muitas (quase todas) das vezes isso envolve beber. Muito.

E a neve que era suposto cair? Era só Jajão.