Fogo-de-artifício

No outro dia liguei para a Polícia. Nada de especial, só para alertar que uns miúdos andavam a perturbar a calmaria das ruas, e a assustar as pessoas com bombinhas e estalinhos.

Parece que é prática comum comprar montes de artigos de fogo de artifício para festejar a época. Qualquer supermercado oferece uma extensa variedade de produtos, mas apesar de ser necessário ter 18 anos para poder adquirir estes artigos, muitos miúdos brincam pelas ruas com material explosivo. Contudo, consta que os acidentes registados são mínimos. No ano passado, foram identificadas duas vítimas mortais em todo o país devido a material defeituoso. Em 2004, uma fábrica de fogo-de-artifício no sul da Jutlândia foi destruída, resultando num dos maiores acidentes dos últimos tempos.

O que é certo é que toda a cidade se ilumina na Passagem de Ano, e dizem ser um espectáculo que vale a pena. Portanto, vós que estais na Praça do Comércio com dificuldades móveis e respiratórias devido à afluência de gente, vinde até ao norte e comprai o seu próprio kit de efeitos luminosos. Parece bastante mais divertido que procurar estacionamento durante 2 horas e sofrer de esmagamento dos dedos dos pés.

O dia mais curto do Ano

Hoje é o dia mais curto do ano no hemisfério norte. O Solstício de Inverno traz boas notícias: o dia atingiu o seu mínimo de horas solares. Mais precisamente 6 horas e 42 minutos  em Aalborg, no norte da península da Jutlândia, Dinamarca. Não estamos assim tão mal de sol, este ano o Inverno tem sido generoso em dias luminosos, adiando os dias de chuva consecutivos para outra altura.

Ainda assim, esta diferença em relação a Portugal manifesta-se silenciosamente, e varia de pessoa para pessoa: podem sentir-se alterações físicas e psicológicas, cansaço e sono em excesso, falta de energia, ansiedade, mudanças de humor, ligeiro estado depressivo, entre outros.

Para evitar o modo de “todos me devem e ninguém me paga”, há que aprender a aproveitar cada réstia de sol, abrir as janelas e sair à rua quando possível. Exercício físico mantém o metabolismo em plena função e regula o cansaço e energia. Suplementos vitamínicos são também uma ajuda preciosa.

De bicicleta para todo o lado

É conhecida a reputação dos países de norte quanto ao uso da bicicleta, e a Dinamarca não é exceção. Aliás, Copenhaga é considerada a capital da bicicleta, pelas mais recentes reformulações feitas no tráfego de carros e peões dentro da cidade.

Ao não ter carro e analisar o custo do transporte público, uma bicicleta foi um dos meus primeiros investimentos (logo a seguir às 3 viagens ao IKEA). Mesmo em 2ª mão, uma bicicleta custa cerca de 100€ + todos os acessórios necessários: luzes, obrigatórias, capacete, para informar os automobilistas de que sou uma aselha, e cadeado, para evitar desaparecimentos indesejados.

Numa cidade com índices de assaltos tão baixos, as bicicletas serão sempre um alvo fácil e muito apetecível, pelo que um dos primeiros conselhos que ouvi foi mesmo lock it, always.

A etiqueta e comportamento dos ciclistas parte do censo comum, hábitos e das regras não-escritas. De tudo o que aprendi na escola e nas aulas de código, pouco serviu para me sentir menos idiota a pedalar por aqui. A rede de ciclovias é extensa e bem cuidada, e o respeito pelos ciclistas é enorme. Contudo, há imensas regras para ambos os lados, e estas são para ser respeitadas. Mas esse é um assunto para outro dia.

Mas de tudo isto, o maior problema foi mesmo aprender a travar. Nunca jamais em tempo algum vi uma bicicleta com sistema de travões integrado nos pedais, pelo que quando não vi os manípulos dos travões a minha expressão foi de pânico e confusão.

Até à data, ainda não caí.