E depois do fogo-de-artifício?

É absolutamente fantástico não ter de esperar pela meia-noite para ver fogo-de-artifício para onde quer que olhes. Desde o pôr-do-sol que muitas famílias saem à rua para lançar 2 ou 3 foguetes. Alguns fazem mesmo pausas no jantar, lançam uns foguetitos, e voltam para o quentinho das casas. Mesmo nas aldeias, é difícil não assistir a espetáculos de pirotecnia na altura de celebrar a entrada do novo ano.

Com isto, é quase irónico pensar que em Portugal teríamos de ir à Madeira para ver 10 minutos de fogo-de-artifício. Aqui, é difícil ter uma pausa de 10 minutos sem ter uma explosão de luz a menos de 5 km.

Conclusão: Venham à Dinamarca na Passagem de Ano!

Mas nem tudo são rosas. Apesar dos municípios praticamente não gastarem orçamento público em fogo-de-artifício, existe uma desresponsabilidade generalizada no que toca ao pós-festa. Lixo. Muitas caixas e restos de uma noite de folia são encontrados por todas as ruas. É compreensível que “ah e tal, bebedeira e cenas, não apetece limpar depois”, mas não serve de justificação.

Outro aspeto negativo é a quantidade de pessoas que acabam por recorrer aos hospitais por acidentes com os explosivos. Este ano foram cerca de 267 o número de acidentes, o que se torna alarmante quando um terço destes têm menos de 15 anos.

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Contra-ataque Dinamarquês

Relativo às recentes notícias do Orçamento na Dinamarca, algumas das medidas aprovadas afetam diretamente os imigrantes – e não de uma maneira agradável. A Dinamarca é reconhecida como um dos países da UE com políticas de imigração bastante estritas, e o presente mandato de Lars Løkke Rasmussen pretende mesmo dificultar a entrada no país.

Em Janeiro deste ano, foram introduzidas várias medidas para travar o efeito da entrada de refugiados no país, dados os elevados valores de população a acorrer. Os 5 anos de residência no país antes de poder obter residência permanente passaram a 6, com condições cada vez mais estritas. Agora, quem quiser pedir residência permanente na Dinamarca precisa de esperar 8 anos, estar empregado 3.5 anos nos últimos 4 anos, abster-se de usar qualquer apoio monetário público nos últimos 4 anos, entre muitas outras condições (mais em The Local DK).

No caso de reunião familiar, um imigrante que venha para a Dinamarca trabalhar e queira trazer a família é obrigado a ter 3 anos de residência permanente até que o possa fazer, o que resulta numa soma de 11 anos de espera (pelo menos 8 anos de residência como estrangeiro + 3 anos após obter residência permanente).

Não me surpreende que o Governo queira controlo na população que entra no país: só em 2015 um total de 21,300 refugiados foram registados na Dinamarca, número que reduziu para 5,000 nos primeiros 8 meses de 2016 graças às medidas tomadas.

Vistos Gold? Não tens cá disso.

Água quente canalizada

Há uns tempos fiquei a saber que as casas são fornecidas por dois sistemas de distribuição de água: fria e quente. Realmente estranhei ainda não ter visto um acumulador ou qualquer outra fonte de aquecimento de água na casa, mas não imaginava que viesse por uma rede de canos infinitos, já aquecida.

E as perdas energéticas? E a eficiência? Acontece que cada cano tem uma camada de isolamento de pelo menos 10 centímetros (mais do que alguma parede em Portugal alguma vez verá), e não existe mistura de águas. A água que entra é utilizada para aquecimento e consumo em geral, o que significa que parte da água é recolhida pelo sistema de esgotos, e outra parte é recolhida pelo sistema de água aquecida, desta vez separada da água quente, para voltar a ser aquecida na central.

O consumo de cada casa é medido através da água utilizada e da temperatura de entrada e de saída da água. Diz-se ainda que se uma casa revelar leituras de temperatura de saída e entrada muito próximas poderá sofrer penalizações, uma vez que significa desperdícios de energia. Um sistema bem construído não permite a circulação de água quando esta não é utilizada, o que aumenta a eficácia de todo o sistema de distribuição.

Aqui, dentro de casa quase ando em t-shirt. Há um ano, estava em Lisboa a bater o dente cheia de frio. Podemos caracterizar esta situação: países desenvolvidos e países em desenvolvimento.

Cheguei, e agora?

Para todos aqueles que se relacionam com a Dinamarca de alguma maneira, quer por curiosidade, ligações diretas ou indiretas, deixo aqui um pouco das diferenças e semelhanças entre as minhas origens e este país de encantos diversos a norte da Europa.

Estas crónicas são o resultado de uma mudança de vida pouco planeada, nunca antes considerada, mas com uma forte razão: amor. Confesso que a parte mais difícil foi tomar a decisão de deixar Portugal e comunicá-la às pessoas que mais gosto. Deixar tudo com que sempre me relacionei, fazer as malas e partir com futuro incerto foi um passo que exigiu alguma coragem e horas de reflexão.

E agora? Longe daqueles com que partilhamos laços desde sempre, com os quais a comunicação e entendimento sempre foi natural, está na hora de trabalhar arduamente na chamada de integração. O conceito de integração num novo país é um assunto sério, que todos os que aceitam mudar para uma nação diferente devem considerar abraçar, em prol de uma vida em sociedade equilibrada e feliz. Este envolve aspetos como aprender a língua, conhecer o país e a sua história, descobrir as tradições e envolver-se com a vida em comunidade o máximo possível. Perceber os diferentes hábitos e fazer destes parte da nossa própria rotina é algo que nem sempre é fácil, mas tudo contribui para o sentimento de inclusão na sociedade.